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Espelho, espelho meu...

Muita gente ligada ao futebol ficou indignada com as afirmações preconceituosas do técnico Narciso contra o "pessoal da faculdade" que trabalha com a formação de jogadores. Essa indignação faz sentido. Dizer que o futebol das categorias de base "piorou muito" em virtude de o "pessoal da faculdade" estar envolvido é ignorar trabalhos consistentes realizados por profissionais competentes como, por exemplo, Rodrigo Leitão e Bruno Baquete (Corinthians), Alcides Scaglia (Unicamp e Paulínia), Anderson Gôngora e Lucas Góes (Desportivo Brasil), Alberto Tenan, Bruno Pasquarelli e Lucas Villela (São Jose) (apenas para citar alguns que conheço).

Por outro lado, observei que uma parte do "pessoal da faculdade" postou mensagens igualmente preconceituosas, atendo-se, por exemplo, ao português ruim de Narciso, sua "boleragem" etc. O "pessoal da faculdade" baixou o nível também.

 Narciso, que está por cima, na mídia, não perdeu a oportunidade de expressar esse tipo de sentimento. Narciso deve levantar-se pela manhã, olhar-se no espelho e perguntar: "Espelho, espelho meu, existe no mundo um técnico melhor do que eu?". O seu espelho seguramente deve responder "que não há".

Portanto, ficou demonstrado nesse episódio que os "boleiros" e o "pessoal da faculdade" não se aceitam.

Espero que quando alguém jovem e da "faculdade" estiver na mídia, por cima, não seja preconceituoso como Narciso. Espero, realmente, que essa pessoa se olhe em um espelho franco, humilde e sereno.

Embora ninguém tenha sido hipócrita nesse episódio, penso que o caminho para o bem do futebol brasileiro não se afirma por aí. Esse tipo de comportamento aguça ainda mais a distância entre os práticos (boleiros) e os teórico-práticos (pessoal da faculdade).

O fato é que há espaço para a expertise e a intuição dos ex-jogadores e para o "pessoal da faculdade". Veja, por exemplo, o Audax comandado por Fernando Diniz e que tem como assistente técnico Bruno Pivetti. Algo para se pensar, não? Parece-me este um caminho promissor.

Ainda: o "pessoal da faculdade" pensa em um futebol gerido pelo "pessoal da faculdade". Isso não será possível! O Brasil não é Portugal, Espanha, Inglaterra. O território é muito extenso, a cultura enraizada de crenças singulares e o capital simbólico dos ex-jogadores é elevado. Por outro lado, os "boleiros" sonham com um futebol gerido pelos iguais. Esqueçam essa reserva de mercado! Estuda-se no Brasil. Há gente interessada, competente, promissora. Será inevitável alguém da "faculdade" chegar lá em cima, mais dia, menos dia.

Agora, não há nada mais constrangedor do que ver Rivelino dar razão a Narciso. Mas sobre isso falarei outro dia.

Assinatura Wilton Santana
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3 comentário(s) cadastrado(s)

Infelizmente ainda temos em nosso pais pessoas que,continuam acreditando que no futebol de hoje é só colocar a camisa e vamos que vamos...acabamos de ter um exemplo de tudo isso que foi falado,e o exemplo que foi nos dado não se refere só ao futebol praticado.

Angelo de Assis Pereira da Silva Neto

Até quando a CIÊNCIA será questionada pela EMPIRISMO. Jamais poderemos ignorar a prática, mas a ciência é o que nos dá sustentação teórica. Infelizmente os práticos aqui no Brasil tem levado vantagens, principalmente apoiada por uma mídia hipócrita sem conhecimento do assunto.

Waldney Magela

Infelizmente há "farpas" saindo de ambos os lados: "boleiros" e "pessoal da faculdade", acredito que o "pessoal da faculdade" deveria preocupar-se mais em formar-se para fazer um bom trabalho, colocar a teoria em prática, realizar a prática teorizada com qualidade.

Nathália Aparecida de Oliveira Gomes

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