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Falcão, o espetacular

Certa feita escrevi um post intitulado  “Falcão sem brilho”. Na época, 2011, mencionava que o jogador apagara seu brilho costumeiro, sendo expulso e retirando-se do jogo final da Liga daquele ano, quando jogava pelo Santos.

Bem, "se há dia para espalhar pedras, hoje é dia de ajuntá-las", porque o que esse jogador fez hoje, aos 37 anos, na prorrogação do jogo final da Liga foi admirável. Ele não só acreditou que poderia fazer a diferença, como o fez. E isso precisa ser creditado em sua conta tim-tim por tim-tim.

Penso que Falcão é, sem dúvida, o jogador de futsal mais espetacular do Brasil e, possivelmente, do mundo. Espetacular tem a ver com ser muito bom, excelente, que se sobressai. Tino Marcos, o editor do Globo Esporte, certa feita se referiu a ele como “o craque que não se cansa de se reinventar”. Para se ter uma idéia do seu acervo de recursos, basta acessar seu site.

O fato de produzir ações incomuns dentro da quadra fez dele, segundo a Fifa, o melhor jogador do mundo. Há quem discorde da Fifa. O argumento seria o de que há jogadores mais completos. Acontece que nem sempre o melhor jogador é o mais completo. Por exemplo, “melhores do mundo” como Romário, Ronaldo e Ronaldinho nunca foram completos como Zidane, Cruyff, Falcão (o do futebol) e Zico. É por esse motivo que, no futsal, Manoel Tobias (completo) e Falcão (espetacular) foram premiados. Bem, antes de voltar a falar do Falcão, preciso dizer que essa ideia de “melhor do mundo” é muito fugaz, efêmera, transitória. Portanto, não é o que mais importa pra mim.

Não cometeria o equívoco de ser simplista e afirmar que o jogo do Falcão apenas encanta e não é eficaz. Se assim fosse, ele não seria artilheiro de tantos campeonatos seguidas vezes (mais uma vez este ano!). Quero dizer que para se destacar no futsal de alta competição, além de criativo (aquele que inventa), ele é inteligente (aquele que escolhe a melhor opção entre as disponíveis) e técnico (aquele que aplica o gesto no momento certo e que garante à equipe vantagem competitiva).

O fato é que com as suas atitudes pouco comuns dentro da quadra, Falcão tornou-se uma “celebridade”. Já foi recebido pelo Presidente da República; é “marca” de materiais esportivos; tem um site; parece-me que também é empresário; faz comercial na tv; apareceu em uma produção cinematográfica. Até mesmo no futebol foi visto (São Paulo FC). Trata-se, portanto, de um empreendedor, o que é uma virtude. Quem é o maior beneficiado por isso? Ele mesmo, sem dúvida. Porém, isso atrai o interesse para a modalidade e abre, com isso, a prerrogativa para que outros jogadores e profissionais sejam prestigiados e alavanquem, em alguma medida, algo semelhante.

Por extensão, Falcão é, hoje, mais visível do que o futsal como um todo: Confederação Brasileira, seleção brasileira, seus treinadores, seus colegas de equipe e adversários. Exagero da minha parte? Talvez. Mas me diga qual desses elementos tem, no presente, mais visibilidade que o Falcão? Disse visibilidade e não importância! Ou seja, Falcão é mais visível que a seleção brasileira, por exemplo, mas, sem dúvida, não é mais importante. Por não ser mais importante, mas incomum, é que ele pôde ficar no banco de reservas da seleção brasileira campeã mundial de 2008.

A pergunta que preocupa parte das pessoas, e que me fazem vez ou outra por onde ando, é a seguinte: quando o Falcão parar de jogar, a mídia, sem a mesma facilidade em “vender” a modalidade, terá interesse em prestigiá-la? Acredito que sim, porque o futsal é maior do que o Falcão. Aposto que sobreviverá sem ele. Mas sobreviverá sem o mesmo brilho.

Falcão será, depois de parar, um desses personagens citados pelas pessoas que amam o futsal nas resenhas intermináveis de mesa de bar: "Lembra daquele gol de bicicleta que ele fez detrás do meio da quadra"; "Lembra aquela vez que ele fez um gol dando uma carretilha no goleiro"; "Lembra daquele gol que ele fez por cima da barreira em que ficou de costas para o gol"; "Lembra daquela final que ele fez o linhagoleiro e o time virou o jogo"...

Assinatura Wilton Santana
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4 comentário(s) cadastrado(s)

Amigo, completaremos esse seu pensamento elencando mas uma característica desse nosso monstro do futsal, além de empreendedor ele se enquadra como um cara que sempre soube trabalhar seu marketing pessoal, pois chegando agora aos 37 anos, continua em evidência na mídia não só pelas "Mágicas" que faz nas quadras, mas também pela sua conduta exemplar fora delas. Marcelo Leite/CT Falcão 12 Piracicaba

Marcelo Leite

Jéssica, minha querida aluna! Eu que aprendi com você, viu! Sua coragem, iniciativa, dedicação e humildade naqueles dias reverberam até hoje na minha memória. Um abraço.

Wilton

É sempre um prazer ler algo escrito por você. Lembro-me com saudades dos primeiros passos no futsal, dados na escolinha "Gol de Letra". Você definitivamente é um MESTRE. Abraço.

Jessica

Excelente texto, professor. O jogo com o Falcão presente sempre "acontece algo"... Felizmente nas resenhas intermináveis poderemos falar com orgulho: - Eu o vi jogar! Abraço!

Alberto Tenan

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