Entre o quadro e a quadra 190 artigo(s) cadastrado(s)
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Jogar é o que importa!

Sempre que abordo o entorno esportivo com treinadores de futsal de categorias menores surgem depoimentos de suas passagens com pais, dirigentes, árbitros, enfim, os chamados agentes socializadores. Há discursos de todo tipo, bons e queixosos.

Dessa última vez, contou-me um aluno que uma mãe lhe teceu o seguinte comentário: "Não me importo se meu filho não jogar! Apenas quero que o time ganhe". Isso, à primeira vista, poderia ser classificado como um depoimento de quem entende que o filho é ainda inexperiente e que, portanto, deve esperar a sua vez, ou seja, uma opinião sensata.

Mas não foi bem assim. Ele me disse que ela saiu em defesa própria; que não se importava mesmo com o filho; que seria suficiente para ela estar entre os que vencem. Como se dissesse: "Ele não precisa jogar. É mais importante que ele e eu estejamos entre os vencedores". Entendeu?

E isso me causa estranhamento, espanto, discordância. Por quê? Porque jogar deveria importar mais do que vencer. Jogar é a diversão, o método, o processo, o motivo e o fim. Vencer é uma consequência de quem joga. Não passa disso.

Por isso diria que jogar importa mais do que vencer. O compromisso é com o jogo. Joga-se para aprender. Mas aprender o quê? A competir, que tem a ver com buscar a vitória, ser leal, ser esportivo, ser corajoso, superar-se, ter autocontrole, ir "até o fim", reconhecer o mérito alheio e, inclusive, perder sem que isso signifique o fim, a humilhação, a negação do processo.

Não precisamos de uma geração de vencedores, seja de pais ou de crianças. Não precisamos dessa mentalidade distorcida de que nossos filhos somente serão bons quando e se forem vencedores. Precisamos de esportistas, de competidores, de apaixonados pelo jogo. É desse clima que surgirão os bons jogadores. Estes, os bons jogadores, os craques, serão aqueles que, na vida que segue, se chegarem ao profissionalismo, prolongarão a infância, ou seja, a paixão da infância. Continuarão jogando, de forma séria, com prazer e entrega, como sempre o fizeram. E isso, queridos pais (sem nenhuma ironia), não exclui a garra, a inteligência, a técnica, a competitividade, a busca pelo êxito, a derrota.

Estimo que os pais e os treinadores de crianças entendam que é muito importante competir, mas o que está em jogo, nesse momento, é aprender a jogar, a competir, a se relacionar com o entorno, a lidar com as emoções de forma construtiva. Já está bom. Qualquer coisa que fuja disso deveria ser evitada, pois é infrutífera e perigosa.

Assinatura Wilton Santana
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1 comentário(s) cadastrado(s)

Penso igualmente professor.abraço

edilson pukanski

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