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A "rua" que tem de ir para o treino

Algumas pessoas me enviaram o link desse vídeo, que, em síntese, retrata a iniciativa do Cruzeiro (MG) de inserir  o "futebol de rua" no treinamento da categoria Sub-14. O vídeo, como você pode acompanhar, traz imagens de meninos descalços jogando bola na rua, metas feitas de chinelos de dedo, meio fio à mostra, jogo interrompido por carros que passam, bola furada, bola que caiu na casa da vizinha.

Bem, por que isso ganhou repercussão?  Estimo que seja porque muitos de nós avaliamos que a formação do jogador de futebol no Brasil, modo geral, dá muita importância à repetição e memorização de técnicas, o que torna o treinamento monótono, e pouca atenção à criatividade, à liberdade, ingredientes da pedagogia da rua. Por isso, repito, muitos ficaram contentes com essa matéria. Mas eu não me incluo, pois discordo da ideia. Explico.

Penso que tão ou mais equivocado do que deslocar o jogo do centro de ensino, como fazem os tecnicistas, é colocar no centro o jogo sem objetivos tático-técnicos. Não dá para "jogar por jogar" quando se tem 13, 14 anos de idade e, por dedução, sete, oito anos de experiência em futebol. Talvez tenha exagerado quanto ao "futebol de rua" ser o centro do ensino, porque o Cruzeiro, de fato, não faz isso, pois treina na rua uma vez por semana! Então reformularei: tão ou mais equivocado do que deslocar o jogo do centro de ensino, como fazem os tecnicistas, é colocar no centro o jogo sem objetivos tático-técnicos para um jovem jogador de 13, 14 anos, mesmo que uma vez por semana.

Ora, jogar bola na rua é bom quando se é criança, antes do clube, do treino, da prática deliberada. No clube é o momento de ensinar a jogar futebol (jogo organizado), a conhecer e a praticar princípios ofensivos e defensivos, enfim, a se familiarizar com a lógica tática do jogo. Isso, evidentemente, não exclui a criatividade! Anote aí: os jogadores, se puderem jogar quando treinam, atuarão com liberdade e se incitará a solução de problemas. O jogo é o desafio de que precisam. Porém, essa criatividade, por serem um time, não se dará no vazio, mas no jogo organizado que se quer produzir. Portanto, o treino de futebol pode ser lúdico sem ir, literalmente, para a rua. Basta que os jogadores tenham liberdade quando treinam. Basta que se substitua as rotinas de treino por práticas de jogo. Basta que os treinadores apostem no jogo como o principal veículo pedagógico. Essa de "ir pra rua" para ganhar criatividade não cola. A "rua" que tem de ir para o treino.

No que pese minha opinião, não quero dizer que o Cruzeiro não se preocupa em ensinar a jogar futebol. O Cruzeiro é um clube e tanto e, como tal, tem profissionais de bom nível e atualizados. Portanto, minha crítica não é ao profissional, mas à ideia. Apenas quero dizer o que disse: que, nessa fase, não faz mas sentido jogar bola na rua. Não dá mais para reproduzi-la. Não é a mesma coisa de antes. E também não é preciso. Basta treinar jogando. É nesse nicho que a habilidade será atualizada.

Assinatura Wilton Santana
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