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Doping

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Wilton Carlos de Santana

Docente do Curso de Esporte da UEL (PR)

Doutor em Educação Física - UNICAMP (SP)

Ganharam repercussão os casos de doping no atletismo brasileiro. O doping é ilegal porque, de alguma forma, “beneficia” o atleta, dando-lhe vantagens competitivas. Infelizmente, trata-se de uma prática usual no esporte de alto rendimento. Basta pesquisar um pouco e se descobre isso. É uma forma nefasta de realizar esporte e, sobretudo, de lidar com pessoas. É uma forma estúpida e perigosa de se viver.

Ainda que brevemente, me lembro de ter discutido esse tema com os meus alunos do 1ª ano do curso de Esporte. Pudemos apontar que o doping viola, frauda e adultera a essência da competição, na qual cada um deveria entrar, tão somente, com os recursos (lícitos) que tem. Por que se faz isso? Por dinheiro. Para garantir patrocínios. Por status. Por ambição. Por constrangimento. Parte dos atletas quer quebrar recordes, melhorar suas colocações, ser reconhecida a qualquer custo. Ao custo de suas próprias vidas.

Na oportunidade, lemos um pouco sobre o caso do corredor britânico Dwain Chambers, suspenso do esporte de 2003 a 2005. Ele revelou detalhes do programa de doping ao qual se submeteu para melhorar seu tempo em 0s10. Disse ele: “Quando estava limpo, minha melhor marca era 9s97. Um ano depois, após noites em claro, ansiedade, dores por causa das agulhas (das injeções que tomava) e análises de sangue para assegurar que não sofreria uma trombose, minha marca era de 9s87”. Além disso, disse ter tomado mais de 300 tipos de drogas! Quando pego, isolado e em depressão, pensou em suicídio. Você consegue imaginar uma criança esportista, dessas que vemos nas pistas de atletismo, cheia de sonhos e de alegria, transformada num atleta drogado e suicida? É o que o doping faz realmente.

A minha intenção é sensibilizar meus alunos, de modo que nenhum deles cometa tal atitude com seus atletas, independentemente da modalidade. “Mas professor, sem o doping não daria para competir nesse nível!” Não sei se isso é verdade. Se for, não compita. Precisamos decidir, desde já, o que não faremos no esporte. Não dá para ser treinador e encaminhar pessoas à depressão e ao suicídio!

Observo uma foto do técnico e professor Jayme Netto na Folha de São Paulo. Tem os olhos lacrimejados. Um ar sofrível e melancólico. Também o vi, na tv, declarar mea-culpa. Vive, certamente, um pesadelo. Não há prazer na dor alheia.

 ?Este texto também está disponível em podcast.

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