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Futsal: um sonho olímpico distante

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Wilton Carlos de Santana

Docente do Curso de Esporte da UEL (PR)

Doutor em Educação Física - UNICAMP (SP)

Luis Pizarro, técnico da seleção chilena de futsal, me deu um livro sobre a simpática e articulada campanha da Federação Paulista intitulada “Futsal! Um sonho olímpico − London 2012!”. Este livro deveria ser visto por toda a gente que aprecia esse esporte, pois expressa a sua proliferação mundial. Você pode acessá-lo no site daquela federação.

     Lê-se no seu editorial que a intenção da campanha, que se iniciou em 2003, se concentra em “[...] chamar a atenção ao fato de que o futsal preenche todos os requisitos para sua inclusão e participação no evento, mas ainda não é olímpico”. Concordo. Quais seriam esses requisitos? Há um artigo de Álvaro Melo Filho, vice-presidente da Confederação Brasileira de Futsal, que os relaciona.

     Lê-se, igualmente, que nesses anos de campanha, houve o envolvimento de “[...] inúmeros clubes e colaboradores em todo o mundo, chegando ao expressivo número de 100 países participantes em todos os continentes” − o livro comprova isso, contendo uma relação de 101 países (10 da América do Sul − CONMEBOL; 09 da América do Norte e Central − CONCACAF; 14 da África − CAF; 46 da Europa − UEFA; 21 da Ásia − AFC e 01 da Oceania – OFC).

 

“Nessa história, uma única adesão valeria mais do que a dos 101 países e das 217 mil assinaturas que apóiam a campanha da Federação Paulista: a de Jacques Rogge, presidente do COI. Mas atenção, isso valeria apenas para 2020!”.

 

     Há, no livro, declarações de gente graúda apoiando a iniciativa, como Joseph Blatter, presidente da FIFA: “Eu os encorajo a seguir neste caminho”; de João Havelange, presidente de honra da FIFA: “Associo-me à sua campanha”; de Eugênio Figueiredo, presidente da CONMEBOL: “[...] quero informar o nosso apoio oficial”; de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, a mais longa delas, em que expressa ser “[...] nosso maior interesse apoiá-los”; de Ricardo Teixeira, presidente da CBF: “[...] pode contar com meu apoio para que o futsal venha a fazer parte das Olimpíadas de 2012”. Embora não haja depoimentos de dirigentes ligados à Confederação Brasileira de Futsal, aparecem fotos nas páginas 37, 38 e 39 que comprovam a adesão desta entidade à campanha.

     Aqui é preciso fazer algumas ponderações. Iniciarei pela sensatez de Nuzman, ao reportar que “[...] só existe um caminho para que isso seja feito, que é relacionado entre a FIFA e o COI. O trabalho político tem que ser desta forma junto à FIFA junto ao COI”. Nuzman toca no ponto nevrálgico da questão: a relação FIFA-COI. Eu mesmo apontei num editorial anterior, baseando-me nas declarações de Álvaro Filho, que a condição do COI para incluir o futsal no programa olímpico é a de que a FIFA libere onze jogadores acima de 23 anos para a disputa do futebol nas Olimpíadas.

     Ora, se isso for o que acontece de fato, o sonho da entrada do futsal nas Olimpíadas está distante. Por que a FIFA liberaria mais jogadores acima de 23 anos para disputar os Jogos, enfraquecendo a Copa do Mundo, seu maior evento? O fato é que o COI não quer o futsal. Quer os craques do futebol.

     Então se tem, por um lado, “o sonho de se ter o futsal incluído no programa olímpico”; por outro lado, “o sonho do COI de contar com as estrelas do futebol nas Olimpíadas”. Por isso, mesmo classificando a campanha como meritória, pois ela dá visibilidade a um desejo coletivo (no qual me incluo) e mantém acesa a discussão em torno dessa temática, pergunto-me: se a condição de o futsal entrar nas Olimpíadas for a de ceder os craques do futebol, como aquele entrará?

     Logo, nessa história, uma única adesão valeria mais do que a dos 101 países e a das 217 mil assinaturas que apóiam a campanha da Federação Paulista: a do belga Jacques Rogge, presidente do COI. Mas atenção, isso valeria apenas para 2020, pois, segundo o artigo do Álvaro Filho, as vagas das modalidades para as Olimpíadas de 2012 e de 2016 já foram definidas.

     “Futsal! Um sonho olímpico (distante) – 2020”.

 

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