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Desenhos táticos ofensivos

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Wilton Carlos de Santana

Docente do Curso de Esporte da UEL (PR)

Doutor em Educação Física - UNICAMP (SP)

Embora se tenha defendido ao longo do tempo na literatura do futsal em geral que sistema se trata do posicionamento organizado dos jogadores em quadra, é preciso esclarecer que esse conceito abrange, apenas, o desenho tático. Por extensão, o sistema tático seria algo maior do que o posicionamento em si, incluindo as atitudes empregadas pelos jogadores para resolver os problemas do jogo, que é o que se entende por tática.

Portanto, seria correto afirmar que enquanto o desenho corresponde à faceta estática do sistema, a tática se reporta à faceta dinâmica. Então anote aí: sistema seria igual ao desenho + a tática, isto é, o posicionamento organizado + as movimentações intencionais dos jogadores. Por sua vez, a tática é influenciada pela estratégia (planos, visão) do treinador, o qual define como a equipe jogará (modelo de jogo).

Para posicionar a equipe na quadra de forma organizada (desenho tático), inteligente, é necessário, primeiro, conhecer as posições dos jogadores. No futsal, basicamente, há o goleiro, o fixo, os alas e o pivô. Mas, onde posicioná-los? Depende do desenho tático. Modo geral: o goleiro, com a exceção dos desenhos em que ele atua fora da área, deve ser posicionado na meia-quadra defensiva junto à meta; o fixo se trata do jogador mais recuado; os alas ocupam as laterais e o pivô deve ser posicionado mais avançado.

Treine o aprendido no parágrafo anterior, identificando quem é quem na figura 1.

 

 

 Figura 1 - Desenho tático 1.2.1

 

Relaciono abaixo alguns desenhos táticos. Não tenho a intenção de explicar suas vantagens e desvantagens. Interessa-me mais a relação posição do jogador-ocupação do espaço. Para facilitar, o goleiro será “lido” apenas quando estiver fora da sua área.

No desenho tático 2.2, um dos jogadores mais recuados, em teoria, é o fixo e um dos mais avançados, o pivô. Os outros, alas. Esse desenho é ainda muito usado, sobretudo nas categorias menores. Na principal, considerando o nível de jogo da equipe, ainda podemos vê-lo, por exemplo, para dar suporte às manobras de saídas de meta contra marcação pressão, quando em geral os dois jogadores mais avançados são recuados para seu campo defensivo, a fim de criar espaços livres nas costas do adversário.

 

 

  Figura 2 - Desenho tático 2.2

 

No desenho tático 2.1.1, um dos jogadores mais avançados foi recuado (ala) e o outro permaneceu (pivô). Em teoria, um dos mais recuados é o fixo e o outro o ala. Esse desenho é usado em geral para dar suporte às movimentações que visam quebrar a linha de marcação pressão do adversário na saída de meta.

 

  Figura 3 - Desenho tático 2.1.1

 

O desenho tático 3.1 é muito semelhante ao 1.2.1. O fixo é o jogador mais recuado, os alas são posicionados nas laterais e o pivô mais avançado. Esse desenho é usado em larga escala pelas equipes para dar suporte ao “jogo de pivô”, isto é, às entradas de ataque que procuram circular a bola entre os demais jogadores a fim de passar para o pivô e, a partir disso, criar certo volume de finalizações contra a meta adversária.

 

 

 Figura 4 - Desenho tático 3.1

 

O desenho tático 4.0 ou quatro em linha difere dos outros por não posicionar, a princípio, um ou mais jogadores de costas para a meta adversária. Pode ser visto em equipes taticamente mais avançadas, sobretudo, para dar suporte ao ataque contra marcações não tão recuadas, que, em teoria, facilitariam as chamadas “bolas de espaço” (aquelas que entram nas costas do adversário). Esse desenho exige jogadores realmente versáteis e muita movimentação. Quem é quem nesse sistema? Somente saberemos as funções que os jogadores desempenharão quando “a bola rolar”. Por enquanto, exceto o goleiro, qualquer um pode ser o fixo, os alas e o pivô.

 


 Figura 5 - Desenho tático 4.0

 

Atualmente, em função da necessidade de se manipular e surpreender as defesas, são muitos os desenhos táticos com o goleiro-linha (goleiro que atua como jogador de linha fora da área) ou linha-goleiro (jogador de linha que atua como goleiro fora da área e pode agarrar no gol). Coloquei aí dois desenhos que chamaria de básicos: no caso do 1.2.2, o goleiro-linha pode jogar pela ala ou pelo centro; no caso do 2.1.2, pela ala.

 

 Figura 6 - Desenho tático 1.2.2 com goleiro-linha pelo centro


 

Figura 7 - Desenho tático 1.2.2 com goleiro-linha pela ala


Figura 8 - Desenho tático 2.1.2

 

Isto posto, perguntaria: qual desses é o melhor desenho tático? Depende da situação de jogo e do nível dos jogadores que se têm. Por exemplo, se a equipe atacar contra uma marcação muito recuada, zonal ou individual, na qual os defensores se encontram muito próximos uns dos outros, o desenho 4.0 (sem pivô) seria menos indicado, pois as coberturas defensivas (ajudas) seriam facilitadas, o que geraria menos espaço nas costas dos adversários. Nesse caso, desde que se tenha jogadores para isso, melhor seria optar pelo 3.1 (com um pivô pela ala) ou 2.2 (com dois pivôs e dois alas habilidosos) ou, ainda, por algum desenho que dê suporte para o "jogo do goleiro-linha". Por outro lado, se a equipe enfrentar uma marcação mais avançada, individual, e dispuser de jogadores versáteis, que sabem ocupar e desocupar espaços de forma inteligente, o 4.0 (sem pivô) é bem-vindo, pois com a defesa em linha as coberturas defensivas seriam dificultadas e haveria espaços livres para possíveis infiltrações nas costas dos adversários. Entendeu? A situação de jogo, em dada medida, “requisita” o desenho tático. A outra parte é que se precisa de jogadores que atuem bem nesses desenhos. 

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