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Práticas para ensinar a "paralela"

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Wilton Carlos de Santana

Docente do Curso de Esporte da UEL (PR)

Doutor em Educação Física - UNICAMP (SP)

Entende-se por tática de grupo o conjunto de movimentações realizadas por dois ou três jogadores. Há muitas manobras desse tipo no futsal. Dentre estas, a diagonal e a paralela são as mais conhecidas e amplamente aplicadas pelos jogadores. Basta analisar seus deslocamentos. Trata-se de uma “linguagem” do futsal. Logo, aprender essas manobras facilitaria a “comunicação” entre os jogadores.

Muitos me perguntam se há lugar em uma metodologia centrada na inteligência tática, assentada nos jogos, para ensinar essas movimentações. Evidentemente que sim. Sugiro, apenas, que o ensino desse tipo de movimentação se inicie a partir da categoria sub-13, ou seja, quando os jogadores, pelo menos em hipótese, em virtude das experiências adquiridas, não estivessem mais presos, exclusivamente, à bola, e, por isso, pudessem jogar, cada vez mais, deslocando a visão para o seu entorno: colegas, adversários, espaços a ocupar e a desocupar. Lembre-se de que é preciso antecipar, no plano mental, as intenções uns dos outros para se jogar taticamente de forma mais avançada.

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A metodologia do “todo para a parte” utilizada previu a exercitação (prática de jogo) depois do jogo, ou seja, treinou-se algo que foi compreendido no contexto global. A exercitação foi complementar; reforçou a atitude tática. Porém, na mesma sessão, retornou-se para o ambiente de jogo, a fim que o treinador avaliasse, minimamente e na prática, a aquisição de conhecimento de seus jogadores”.

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Este texto traz uma sessão de treino para se ensinar a paralela. Vê-se na quadra abaixo que, na paralela, o jogador do centro passa a bola para ala, inicia um movimento para o lado contrário e muda a direção para a lateral. Nesse momento, recebe o passe do colega. 

 

A fim de garantir para quem aprende o entendimento da validade ofensiva dessa movimentação em confronto, iniciei o ensino da paralela por um jogo modificado. Na sequência, a fim de que o treinador possa corrigir a entrada da bola e os movimentos dos jogadores (isto é, passar algumas técnicas), acrescentei uma prática de jogo sem oposição com finalização. Conclui a sessão de treino retornando a outro jogo modificado. A interação entre os jogos modificados e a prática de jogo sem oposição configura uma metodologia que vai do “todo para a parte”.

 

Jogo modificado 1

Regra de provocação para os atacantes: iniciam “presos a setores” (centro e laterais). Apenas o jogador do centro pode avançar para quadra ofensiva mediante a execução de uma paralela realizada entre ele e um ala. Uma vez na quadra ofensiva, somente pode jogar a dois toques contra o goleiro, mas pode ser acompanhado pelo ala fez o passe (se este se lembrar de avançar!). Nesse caso, caso não queira finalizar, pode pisar para quem fez o passe chutar.

Regra de provocação para o defensor: marca apenas na quadra defensiva e deve pressionar a bola onde estiver. Se a roubar, joga para finalizar para o gol e somente pode ser marcado pelo atacante do setor que adentrar.

Dinâmica: finalizado o ataque, inverte-se a saída da bola para o outro goleiro. Quem atacou (o jogador do centro) passa a marcar e joga contra quem marcou e os alas posicionados fora da quadra que deverão entrar. A cada rodada, ou a critério do treinador, altera-se a dupla do centro.

 

Prática de jogo sem oposição

Dinâmica para o jogador do centro: com a bola dominada, faz o passe para a lateral; inicia o movimento para o lado contrário e muda de direção. Termina finalizando para o gol ou passando a bola a um toque para o pivô (em laranja). Depois de chutar, repõe a bola na coluna do centro e ocupa a coluna de quem fez o passe. Alternar o lado que sai a bola a cada paralela.

Dinâmica para o jogador da lateral: recebe a bola, faz o passe no momento certo e ocupa a coluna do centro.

Dinâmica para o pivô: posiciona-se no lado contrário da paralela. É opção de passe e pode finalizar a um toque. Entra e sai da quadra segundo o lado da paralela.

O que orientar para o jogador do centro? A passar a bola e iniciar o movimento como se fosse sair em diagonal, mudando de direção para a lateral. A levantar a cabeça e “ler” o goleiro antes de decidir entre o passe para o pivô ou a finalização para o gol.

O que orientar para o jogador da lateral? A receber a bola e movimentá-la enquanto olha para quem se desmarca; a passar a bola à meia-altura somente quando houver a mudança de direção do colega, de modo que a bola entre no espaço vazio e nunca em cima do colega. “Passe bom é aquele que o colega nem precisa dominar a bola”.

 

 

 

 

Jogo modificado 2

Observe que foi acrescentado um pivô na quadra de ataque, de modo a solicitar deste e dos jogadores que fazem a paralela uma ação coordenada de ataque. O ideal é que o pivô esteja do lado contrário à entrada do atacante do centro. Portanto, toda vez que isso não acontecer, deduz-se que os jogadores não se olharam e não anteciparam mentalmente o que fariam.

Regra de provocação para os atacantes: iniciam “presos” a setores (centro e laterais). Somente o jogador do centro pode entrar na quadra ofensiva mediante a execução de uma paralela realizada entre ele e um ala. Uma vez na quadra ofensiva, somente pode jogar a dois toques contra o goleiro, mas é acompanhado pelo pivô que já se encontra no ataque e pelo ala que fez o passe (no caso de este se lembrar!).

Regra de provocação para o defensor: marca apenas na quadra defensiva e deve pressionar a bola onde estiver (veja no exemplo, que ele pressiona a bola que está na lateral). Se a roubar, joga para finalizar para o gol e somente pode ser marcado pelo atacante do setor que adentrar. Observe que, agora, esse jogador (o pivô) é fixo nessa parte da quadra.

Finalizado o ataque, inverte-se a saída da bola (outro goleiro). Daí, o pivô que atacou passa a marcar o trio que entra na quadra. Assim sucessivamente. Atenção: como agora o pivô está fixo, alterar a cada rodada, ou a critério do treinador, o jogador posicionado no setor central.

 

Por último, a metodologia do “todo para a parte” utilizada previu a exercitação (prática de jogo) depois do jogo, ou seja, treinou-se algo que foi compreendido no contexto global. A exercitação foi complementar; reforçou a atitude tática. Porém, na mesma sessão, retornou-se para o ambiente de jogo, a fim que o treinador avaliasse, minimamente e na prática, a aquisição de conhecimento de seus jogadores.                                       

 

 

 

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