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Defesa de linha-goleiro: erros táticos

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Wilton Carlos de Santana

Docente do Curso de Esporte da UEL (PR)

Doutor em Educação Física - UNICAMP (SP)

Cada vez mais os técnicos de futsal têm recorrido à estratégia do linha-goleiro (ou goleiro-linha) para “voltar” no jogo ou vencê-lo. Isso pode ser comprovado, por exemplo, em uma pesquisa intitulada “Análise dos gols em jogos da Liga Futsal 2011”, na qual os autores (Fukuda e Santana, 2012) observaram 14 jogos (a partir das quartas de final) entre as oito melhores equipes e detectaram que 17 dos 78 gols, isto é, 21,79%, foram convertidos dessa situação.

 Por que isso acontece? Ora, bastaria considerar que há um jogador a mais na linha, o que implicaria em se ter uma linha a mais de passe.

Mas o fato é que marcar o tal do linha-goleiro é realmente muito difícil. Não o fosse, não sairiam tantos gols dessa situação no alto rendimento. Adicione-se um agravante: se os treinadores e jogadores mais experientes enfrentam dificuldades em marcar o linha-goleiro, imagine então os treinadores e jogadores menos experientes!

 Quando se trata de definir o desenho tático defensivo, tem sido comum os treinadores adotarem o losango para marcar, como mostram as figuras 1 e 2.

 

Figura 1 – Losango

Figura 2 – Losango com as três linhas

Na figura 2, além de o losango estar “montado", observam-se as três linhas defensivas que ele proporciona (em verde): um jogador mais adiantado pelo centro (1a linha); dois posicionados nas laterais (2a linha); outro jogador mais recuado, pelo centro, no fundo (3a linha). A 4a linha seria o goleiro.

Vamos aos possíveis erros mais comuns nesse tipo de defesa, ambos reportados para quem marca na 2a linha defensiva, ou seja, nas alas. 

O primeiro deles é marcar muito aberto quando a bola está no centro (figura 3).

Figura 3 – Erro tático: não fechar as diagonais

Esse erro tático é gravíssimo, pois o passe poderia chegar aos dois jogadores adversários mais próximos do goleiro, significando para a equipe defensora um perigo iminente de sofrer o gol. Como evitá-lo? Fechando os passes para esses jogadores. Bastaria que os defensores dessem "um passo" para dentro, para o centro da quadra. Isso dissuadiria o passe vertical e estimularia o passe para os atacantes localizados nas laterais da quadra (logo, distante do seu gol!).

 O segundo erro tático defensivo é reportado ao “ala oposto”, que se trata do jogador localizado no lado contrário (“lado fraco) ao que está sendo atacado pelo adversário (“lado forte”). Observe na figura 4 tanto o “lado forte”, como o “lado fraco” e o “ala oposto” circundado em vermelho.

Figura 4 – Ala oposto e “lado fraco”

O erro do “ala oposto” quase sempre está relacionado ao fato de ele não se dirigir para o “lado forte”, exercendo a cobertura do defensor da última linha defensiva. Comprove na figura 5 que o “ala oposto” está distante de onde está a bola e do último defensor. A seta verde identifica o deslocamento que o defensor não realizou, mas devia tê-lo feito!

Além desse erro, há outro: o defensor da 1a linha, o “cabeça do losango”, circundado, está à frente da “linha da bola”. Logo, sem condições de atuar defensivamente. Ele tanto desprotege um passe para o pivô adversário localizado no centro, quanto anula a possibilidade de retornar para proteger a defesa se a bola entrar para o atacante localizado no fundo da quadra.

 

Figura 5 – Ala oposto distante do lado forte

Agora, observe na figura 6 que o fato de o ala oposto estar muito atrasado deixa o adversário (circundado em azul) livre na zona central de finalização. Igualmente, o defensor da 1a linha (o “cabeça” do losango), não tem tempo para impedir que o atacante finalize no caso de a bola, que está no fundo da quadra, ser passada para este. Erraram ambos: o “cabeça” e o “ala oposto”.

Figura 6 – Em amarelo: ala oposto atrasado para cobrir; “cabeça” do losango atrasado para retornar.

Por outro lado, observe na figura 7 que o “oposto” cumpriu sua tarefa tática de se aproximar do lado forte e cobrir seu colega. E o "cabeça" do losango também cumpriu a sua: impedir que a bola atravesse de "ala à ala".

Figura 7 – Ala oposto em condições de ajudar a defesa

Há outros erros táticos defensivos que precisam ser evitados nessa situação. Este texto apontou alguns.

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